segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Em qualquer lugar


Trilha: Agaetis Byrjun/MySpace/YouTube

Um píer e um pôr do sol fazem de um minuto a transformação. Distantes das distâncias. Línguas, quilometragem, vistos e aviões preparam o lago, o restaurante flutuante, o sonho que o vento que vem da água traz pra quem fechar os olhos.
E aí a gente seguiu, cada um, o seu caminho... mas as estradas, tão cheias de curvas deram a volta na cabeça de cada um e de novo nos vimos assim, um em frente ao outro. Com uma explosão de expectativas e de um mundo infantil dentro da gente. E que a cada minuto, como homem-bomba, poderíamos explodir na praça, na rua, nos casarios antigos e deixar tudo que era antigo tão novo... como se a capital do império fosse Nova York, Madrid, Curitiba ou Mutriku.
E logo o abraço indica que tenho que me deixar levar. A estrada começa, ou termina, ou continua, ou chega ao meio... é o lugar onde moro, onde caminho e peço carona a quem tenha espaço na picop. Pra me dar mais do que destino, aconchego, frio que me dá a sensação de páraquedas a 300 quilômetros por hora estrada abaixo. E aí aceno pra quem fica no acostamento com as palavras poucas que aprendi com quem quer que seja, da cultura que for, mas que tem sonho igual, que busca a busca, que sobe em ônibus não para chegar, mas para retroceder. Não para encontrar, mas para deixar para trás. Não para ver... só para sentir.
E logo já estou aqui, chegando lá, sem sair de lugar algum, com partes inacabadas de uma grande casa que se espalha por Londres e Xela, Flores e Amazônia, Estocolmo e São Paulo e então... já sou alguém que não sabe mais a gramática daqui ou de lugar algum. Minha estrutura é a essência da continuidade, da intensidade, desse beijo desesperado que damos em um quarto claro, na madrugada escura de uma cidade tão longe... nessa Antígua tão distante e tão perto de mim.